FOMO: Fear of Missing Out
- Manie

- 16 de ago. de 2019
- 6 min de leitura
Atualizado: 31 de jul. de 2020
Por Manie El Khal, 16 de Agosto de 2019 para o blog Hijab•Se
Você já se viu indo a lugares que não queria e foi só porque todos os seus amigos estavam indo? Já passou horas no Feed de alguma rede social em busca de infinitas novidades? Já se viu comparando sua vida com a de outra pessoa nas redes sociais e se arrependeu das suas escolhas porque as do outro lhe pareceram mais interessantes? Se sim, é bem possível que você seja vítima do FOMO.
O que é o “FOMO”?
Sigla oriunda do Inglês: “Fear of Missing Out”. Traduzindo, medo de ficar de fora ou de perder alguma coisa, normalmente relacionado à vida social. O FOMO é uma síndrome de ansiedade social e quem sofre disso se vê constantemente querendo estar em vários lugares ao mesmo tempo, com a impressão de ter feito a escolha errada e com medo de uma exclusão social. É muito semelhante ao FOBO: “Fear of Better Opportunities”, ou “medo de melhores oportunidades”. É como se precisássemos agarrar toda e qualquer oportunidade – inclusive e muitas vezes *especialmente* aquelas que não temos – com medo de perdê-las e nunca conseguirmos algo semelhante. Além disso, vítimas de FOMO tem um grande medo de que outras pessoas estejam vivendo experiências melhores que si, junto a uma crença de que não fazer parte dessas experiências possa ter consequências de aceitação.
Esses sentimentos levam o indivíduo a pensar no que deveria estar fazendo ao invés de viver a experiência atual. Além de se preocupar com atividades e obrigações já existentes no dia-a-dia, o subconsciente de quem lida com FOMO adiciona um stress comparativo sobre o que não está sendo feito e outras pessoas possivelmente estão fazendo. Dessa forma, um grande esforço desnecessário é feito para buscar experiências que muitas vezes não tem relevância real para o indivíduo, além de fazê-lo deixar de aproveitar o momento para ver o que outras pessoas estão fazendo ou postar algo relacionado nas redes sociais, por exemplo, apenas para não ficar de fora.
Isso basicamente se resume naquele velho ditado de que “a grama do vizinho é sempre mais verde”. Na tentativa de evitar perdas, deixa-se de curtir e cultivar o momento presente pensando em outras atividades e como seria se houvesse sido feita outra escolha, perdendo-se assim o “aqui” e o “agora”.
O que nos leva ao FOMO?
O “Fear of Missing Out” é muitas vezes abordado como a “Síndrome do Instagram”, porém, apesar de ser impulsionado de fato pela ferramenta caso usada incorretamente, não se limita a ela. As mídias sociais em geral intensificam a Síndrome, mas não foram as responsáveis por originá-la, apenas mostrando uma sombra que já existia.
Apesar de possuir semelhanças com outras síndromes e compartilhar de características relacionadas ao ego humano, a FOMO é mais profunda e complexa e em muitos casos pode ser consequência de um trauma processual na infância, onde eram moldadas e suas escolhas desconsideradas ou vistas com desaprovação com frequência, Ao chegar na adolescência ou fase adulta, têm-se indivíduos cuja necessidade de escolha passa a assustá-los, gerando assim pessoas indecisas e nelas, uma intolerância ao sentimento de arrependimento.
Nem sempre esse processo é algo resultante de um fundo familiar, mas de um distanciamento cultural generalizado que nos torna presos a viver em uma espécie de “espelho social”, em que o outro reflete de volta a nós o que seria o “normal”, criando uma repetição de comportamentos alheios dentro de um padrão preestabelecido. Com um aumento exagerado de opções e escolhas apresentadas às novas gerações desde o estilo de vida da Revolução Industrial, nossa vida se encontra repleta de variáveis e com menos certezas.
Muçulmanas e o medo de ficar de fora
Infelizmente, não ficamos de fora da FOMO. Apesar de aprendermos através da fé que nosso valor se expressa por meio de nossa essência e que somos muito mais do que aparentamos ser, é um enorme desafio se esquivar do espelho social e nos enxergar com as lentes corretas. Inevitavelmente acabamos caindo em Síndromes sociais como essa, nos comparando com blogueiras de Hijab no Instagram ou comprando o novo produto que alguma delas sugeriu, mesmo sabendo que não precisamos dele. Dizem que no “Instagram muçulmano” as pessoas estão sempre em um casamento ou estão se casando. E quanto aos solteiros, que vivendo em locais de minoria muçulmana – como o Brasil, por exemplo – parecem nunca encontrar seu “par perfeito”? O medo de ficar de fora pode levar a buscar alguém na internet e possivelmente acabar numa fria, em uniões mal planejadas fadadas ao fracasso, ou até mesmo relações ilícitas. Há ainda o FOMO das viagens, em que vemos todos felizes com suas deslumbrantes fotos em locais cheios de glamour como Abu Dhabi, por exemplo. Mas e a viagem dos sonhos para Makkah e Madinah? Ou para o lindo Egito? Ou até mesmo para aquela cidadezinha charmosa dentro do próprio país? Temos duas opções: viver os nossos sonhos com as oportunidades ao nosso alcance ou nos esforçar além para viver uma projeção de sonhos alheios.
Como superar o FOMO e o FOBO?
1. Descubra e enfrente a raiz do problema. Como dizem, “reconhecer é o primeiro passo para a mudança”. Treine-se para ter disciplina e evitar o que lhe intriga e causa ansiedade. Isso – muito provavelmente – pode incluir as redes sociais.
2. Questione-se. Por que razão fazemos o que fazemos? Devemos encontrar nosso propósito e quem realmente queremos ser e utilizar nosso tempo e recursos de forma a refletir tais escolhas. “Que tipo de vida quero viver?” Saiba ouvir essa resposta sem influências externas e reorganize sua vida ao redor disso.
3. Aprenda a dizer não e não tenha medo de fazê-lo. Principalmente quando for algo do qual a fé nos oriente a nos abster. Isso pode ser um grande aliado e lhe poupar perdas: de tempo, dinheiro e felicidade.
4. Tenha Tawwakul (confiança no destino): Grande parte do FOMO é gerado por ansiedade, pressa e urgência de resultados sobre coisas que desejamos. Como o exemplo do casamento, devemos nos recordar de que tudo tem seu tempo e o que estiver planejado em nosso destino, acontecerá no melhor momento e da melhor forma. Certamente devemos nos manter em dia com nossa parte e fazer sempre aquilo que nos aproxima de quem queremos ser, mas o resto da equação consiste em confiar Naquele que planeja sempre em nosso favor: Allah (Deus).
5. Priorize as coisas certas. Propósito sobre produtividade forçada. Faça por paixão e realização, não por status social.
6. Siga seus sonhos um por vez, dando um passo de cada vez. O que realmente gostaria de fazer e evita por insegurança? Quais são essas inseguranças? Nade contra a maré e seja autêntica(o).
7. Viva o momento. Ninguém pode fazer tudo e estar em todos os lugares ao mesmo tempo e isso inclui você. Manter o celular desligado e/ ou notificações desnecessárias desativadas é de grande auxílio.
8. Aceite o fato de que sempre estaremos de fora de algo. Isso se aplica a todos nós, sem exceção.
JOMO: Joy of Missing Out
Em contrapartida, existe a “JOMO”, ou alegria de ficar de fora. É tudo sobre como projetamos e exercitamos nossa mente. Lembre-se de que o FOMO ocorre quando perdemos o controle da mente, então, tome seu poder de volta. Não precisamos dar conta de tudo e se focarmos no que estamos fazendo
naquele momento, faremos tudo com excelência e receberemos a satisfação de uma experiência significativa e bem vivida. A JOMO anda de mãos dadas com a apreciação e gratidão: o oposto do que ocorre no FOMO. É como olhar da perspectiva do copo na metade estando meio cheio: ao invés de olharmos o que falta, apreciamos o que temos naquele momento.
Como diria a autora renomada Teal Swan: “Você precisa reconhecer e ver até que ponto está vivendo sua vida por obrigação. Você deve estar vivendo sua vida de acordo com o que decidiu que deveria fazer e se o que decidiu é certo e positivo naquele momento em particular. Você não deve se preocupar em fazer o melhor para manter sua conexão com pessoas que não aceitam quem você realmente é, em primeiro lugar.” Dessa forma, se rodeie de pessoas compatíveis e que o fazem se sentir bem, com quem você não sinta a necessidade de vestir máscaras ou fazer algo que não queria para pertencer.
Vale ressaltar, por fim, que o medo é sobre o que pode ou não acontecer, ou seja: algo futuro. Em outras palavras, diz respeito a algo que ainda não aconteceu e algo que *não existe*. Não há nada a se perder nessa vida: a vida acontece para todo mundo. Onde estamos é exatamente onde deveríamos estar e nossas escolhas nos trouxeram até aqui, então certifique-se de escolher com sabedoria. Não existe qualquer necessidade de nos definirmos com base em comparações, pois cada um de nós está em uma jornada pessoal, única e distinta. A ideia de sucesso atual é simplesmente “estar melhor de vida” que outra pessoa, o que basicamente significa que assim estamos apenas celebrando fracassos alheios, e não conquistas pessoais. Fuja disso.
Se deixamos nas mãos do mundo a decisão sobre quem devemos ser e o que fazer, entraremos em um ciclo nocivo de insatisfação e ansiedade. Como diria o sábio autor indiano SadhGuru: “o que ocorre dentro de você deve ser determinado por você.”

Manie El Khal é Designer de Interiores, estudante de Arquitetura & Urbanismo e colunista da Hijab•Se.
Mineira e descendente de marroquinos, atua como professora, palestrante, orientadora para mulheres muçulmanas e não-muçulmanas na comunidade de Minas e trabalha como voluntária para a IERA em Belo Horizonte. Amante da fé e da arte, mescla-as para traduzir sua essência.
Conheça mais sobre sua história através do Instagram: @maghrebiyah






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