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World Hijab Day: Faça a diferença!

  • Foto do escritor: Manie
    Manie
  • 27 de jan. de 2020
  • 7 min de leitura

Atualizado: 1 de mai. de 2020

Por Manie El Khal, 27 de Janeiro para o blog Hijab • Se

Você sabia que existe um dia para o reconhecimento do Hijab no mundo inteiro? Sim! Esse ano, no dia 1º de fevereiro celebraremos pela sétima vez o "World Hijab Day", ou dia Internacional do Hijab. O evento para comemoração dessa data foi criado por Nazma Khan em 2013 e ocorre em mais de 140 países, sendo a intenção principal do evento uma oportunidade e convite para as mulheres do mundo inteiro experimentarem um dia com o Hijab, independente da religião, nacionalide ou qualquer outra coisa. A iniciativa traz uma consciência maior da sociedade em relação à percepção do Hijab e das mulheres muçulmanas, e é uma excelente oportunidade para o diálogo interreligioso e principalmente para se quebrar estereótipos e controvérsias referentes à mulher no Islam. Então aproveite a deixa e convide suas amigas para usar o Hijab por um dia e/ ou falar sobre o assunto sem medo! Além dessa data, existem duas datas que incluem o Hijab e com muito significado por trás: o “Global Pink Hijab Day”, criado no Canadá para gerar a conscientização a respeito do câncer de mama entre a comunidade muçulmana e o “Global Purple Hijab Day”, criado na Líbia como uma data de manifestação contra o abuso e violência doméstica.


Pesquisas feitas pelos organizadores do World Hijab Day indicam que mais de 71% das mulheres que fazem o uso do Hijab sofrem ou já sofreram algum tipo de discriminação – em especial em países europeus e americanos –; 94% afirma se sentir empoderada pelo Hijab; e 93% afirma não ter tido qualquer influência masculina na decisão.

Sim, de fato, existe a outra parcela nessa conversa e apesar de serem a minoria, essas mulheres não são desconsideradas, muito pelo contrário. Infelizmente, existem algumas famílias muito tradicionais que muitas vezes não entendem a essência real do Hijab, exceto pela perspectiva cultural, tornando ele um fardo não facultativo imposto à mulher. Entretanto, essa não é nem de longe a perspectiva religiosa, que dá à mulher seu direito de escolha, entre uma série de outros direitos, muito antes de qualquer sociedade ocidental.


Zara, uma seguidora paquistanesa do World Hijab Day, comentou na Pesquisa:

“O Hijab não é uma barreira para minhas ambições, nem me sinto oprimida por ele. Pelo contrário, ele é uma escolha, um sentimento, uma identidade. Sinto-me livre com o Hijab, empoderada, protegida, mais forte na fé e mais apaixonada por me tornar um ser melhor em geral. Todo mundo viaja através de sua própria jornada espiritual e a minha se sente mais saudável desde que eu abracei meu Hijab.”

Já ressaltamos isso em diversos dos nossos textos: O Hijab é uma jornada pessoal única e cada mulher tem sua história, acompanhada de suas próprias batalhas e vitórias. Cabe apenas a ela mesma fazer essa escolha, decisão que é tomada todos os dias. Muitas vezes, nossa tendência como mulheres muçulmanas nas sociedade contemporânea – em especial no Ocidente –, é de hesitação quanto ao Hijab por diversos fatores, sejam eles o medo – das reações daqueles mais próximos; da falta de aceitação dentro de nossos círculos sociais; do preconceito e possíveis agressões; – ou simplesmente por vivermos em uma sociedade que julga, reprime e segrega todo e qualquer indivíduo que não se encaixe nos padrões pré-estabelecidos que conhecemos tão bem, seja de maneira discreta ou abertamente manifesta.


A imagem que é passada e fomentada pela mídia, seja no cinema ou na literatura, é que somos oprimidas pelo Islam e principalmente pelo Hijab, o que dita a forma que somos vistas por grande parte das pessoas. Com o dia Internacional do Hijab, temos a oportunidade de tratar esses assuntos e criar outras iniciativas para que nossa voz seja ouvida e as pessoas saibam que para nós, o Hijab é um ato de liberação, de atitude e muito além do que uma forma de vestir. Opressão seria privar a mulher do seu direito de escolher que ela quer fazer o uso do Hijab como é feito em diversos países da Europa, não é mesmo? Não seria opressiva a tentativa de enquadrar as mulheres em geral em padrões e julgá-las a partir disso, objetificando-as e criando esforços desnecessários a elas para que se sintam valorizadas?


Pensando nisso, Toqa Badran, uma seguidora do World Hijab Day de New York, desabafa em um texto o seguinte trecho:

“A parte mais difícil de usar um hijab para mim, é saber que se eu o tirar, quase todo mundo me aplaudirá por “ser forte e corajosa”. Ninguém veria que minha força de vontade e orgulho teriam sido quebrados. As pessoas aplaudiriam quando eu realmente precisaria que elas lamentassem comigo e percebessem que as causas desse acontecimento precisam ser erradicadas. O dia em que eu sair de casa sem o Hijab, será o dia em que minha convicção de que sou mais do que minha aparência for finalmente esmagada pelo desejo quase esmagador de ser apreciada e considerada digna por essa sociedade superficial. Não seria um dia a ser comemorado, seria um dia para questionar quando ou por que nossa obsessão pelas aparências ultrapassou nossas moralidades cultivadas e matizadas. Neste Dia Mundial do Hijab, eu queria deixar claro para minha própria situação, que se chegar um dia em que eu decidir tirar o meu hijab, não será um dia em que serei “libertada”, será um dia que terei parado de lutar exaustivamente por meus direitos, minha moral pessoal e minhas convicções individuais. Eu não terei decidido tirá-lo. Em vez disso, terei sido privada da minha capacidade de mantê-lo.”

Por essas e outras razões, a maioria das mulheres encontra alguma dificuldade nessa jornada, não por causa do Hijab, e sim pelo impacto dele em uma sociedade majoritariamente ignorante do que ele representa para nós.

Eu, Manie, assim como provavelmente toda e qualquer mulher hijabi, passei por tudo isso e perdi as contas de quantas vezes questionei minha trajetória com o Hijab, porém, jamais questionei o seu significado e valor. Me lembro perfeitamente de quando aos 14 anos decidi que queria ser mais do que uma muçulmana de berço que herdou o Islam e passei a buscar conhecimento até entender a essência da fé: a convicção. Com minha mente jovem tipicamente curiosa, comecei estudando assuntos polêmicos e logo me aprofundei na parte do Hijab, me apaixonando completamente por ele. Isso era um tópico que sempre me questionavam a respeito em todos os meus meios sociais. Me perguntavam, “e não chama mais atenção com ele do quem sem?” Pode ser que sim, mas a minha pergunta é: por quê? Por qual motivo não aceitamos e normalizamos o Hijab como qualquer outro símbolo religioso? Por que não nos educamos a respeito perguntando a uma mulher muçulmana o que o Hijab representa para ela ao invés de julgá-la, insultá-la e assumir que “isso é uma imposição masculina”, entre outros?


Por muito tempo almejei começar a fazer o uso dele, porém, com os receios mencionados acima, me reprimi. Passei a usar roupas comuns, porém modestas, mas ainda assim não tomei coragem para aderir ao véu em si. E tudo bem, isso fez parte do meu processo pessoal. Tentei usá-lo no Ensino Médio e assim que cheguei na escola ouvi uma voz masculina aos berros: “Terrorista!” Pasmem, esses atributos super agradáveis vinham de um “amigo”. Assim, por três anos deixei de manifestar algo importante para mim por medo do que a sociedade tinha para dizer sobre isso. Algo tão lindo, libertador, carregado de significado e que era consequência de todas as coisas positivas que se passavam no meu interior desde que escolhi o Islam como modo de vida. Me reprimi para que a sociedade não o fizesse. Isso, minhas caras e meus caros, isso sim, é opressão.


Alguns anos mais tarde, cheguei à conclusão de que não valia a pena vender a minha liberdade para comprar a aceitação do mundo. No dia 1º de Janeiro de 2016, assumi ao mundo quem eu era e recebi não só reações de aprovação e aceitação – as quais eu nem esperava –, mas muito mais amor e admiração do que eu imaginava, de pessoas que eu amava e até mesmo de outras mais distantes que eu nem sabia que alimentavam qualquer consideração por mim.

Moral da história: A maior parte dos medos que me impediam de dar esse passo, se resumiam a isso: apenas medos. Obviamente, isso não quer dizer que não exista preconceito e outros obstáculos, mas a partir do momento em que você decide ser dona de si e não permitir que algo ou alguém dite seu valor, eles se tornam insignificantes próximo à sua vontade de ultrapassá-los e ao orgulho que você carrega. Então, guardem esse conselho um pouco clichê, porém muito verdadeiro: Jamais deixe que qualquer coisa te impeça de ser você mesma. Se o Hijab é parte disso, assuma-o com muito amor e orgulho!

Vale ressaltar, mais uma vez: isso é um processo, jamais se envergonhe do seu. Aqueles três anos sem o Hijab foram de muito crescimento espiritual e emocional e foram essenciais para essa história. – O que mais uma vez prova que uma mulher que não usa o Hijab pode sim ter uma fé linda e completa, ninguém além dela sabe suas razões e ninguém tem o direito de julgá-la por isso. – Por fim, dei o meu primeiro passo no Ano Novo de 2016, mas a minha caminhada se iniciou muito antes. Ainda não cheguei onde desejo chegar com o Hijab, mas almejo levar esse pedacinho de mim comigo até o último dos meus dias.

E você? Qual a sua história? Abrace-a, conte-a, inspire outras mulheres! Seja lá onde você estiver em sua própria caminhada. Não deixe esse Dia Internacional do Hijab passar em branco, nós podemos fazer a diferença, mesmo que somente dentro do nosso círculo. Estamos juntas nessa!



Manie El Khal é ‬Designer de Interiores, estudante de Arquitetura & Urbanismo e colunista da Hijab • Se.

Mineira e descendente de marroquinos, ‬atua como professora, palestrante, orientadora para mulheres muçulmanas e não-muçulmanas na comunidade de Minas e trabalha como voluntária para a IERA em Belo Horizonte. Amante da fé e da arte, mescla-as para traduzir sua essência.

Conheça mais sobre sua história através do Instagram:

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