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Atualizado: 16 de jan. de 2020

Por Manie El Khal, 15 de Janeiro para o blog Hijab • Se


Quem nunca se pegou fazendo inúmeras resoluções de ano novo e acabou percebendo que grande parte delas consiste em resoluções passadas de anos ou até mesmo décadas atrás? Eu mesma, me lembro muito bem de quando ainda bem nova escrevia uma lista de objetivos para o ano seguinte e para me preparar, dizia a mim mesma que precisava deixar toda a bagagem do ano anterior para trás: arrumava e limpava a casa inteirinha, jogava fora o que fosse necessário descartar e planejava o meu ano em seus mínimos detalhes para que nada escapasse dos planos. Sem contar com todo o ritual de beleza que eu considerava obrigatório: entrar no novo ano com as unhas feitas, cabelo hidratado, com novo corte e de roupa nova, tudo isso para que o ano começasse perfeito e seguisse seu rumo a partir daí. Mas e aí? Me peguei anos depois repetindo esse hábito, porém sem sucesso, com os mesmos objetivos da lista ainda sendo estabelecidos como metas para o ano seguinte.


O que acontece é que colocamos tanta ênfase em uma troca de calendário que esquecemos que cada momento é uma oportunidade de mudança. Esquecemos que planejamos, mas a vida nem sempre nos pede permissão para alterar seu rumo, e com isso precisamos nos adaptar e aprender a fazer daquele rumo o melhor para nós em tal momento. Depositamos tanta expectativa na imagem que construímos sobre tudo isso que na primeira vez que algo dá errado, já nos vemos frustrados outra vez. Sempre que comecei

meu ano da forma que descrevi acima, carregando a perspectiva de que tudo fosse correr como planejei, foram necessários apenas alguns deslizes para que eu desanimasse e cedesse novamente à rotina. Certamente, é importante – e muito – que estabeleçamos objetivos e como podemos alcançá-los de maneira prévia, mas apesar da virada de ano ser uma forma de nos motivar a um novo início, não é a única e não podemos nos limitar a isso. Caso contrário, será simplesmente um “ano novo”, diferente apenas no início e em que logo estaremos ansiosos pelo ano seguinte para começar de novo. Como podemos alcançar nossos objetivos, então? Aqui vão algumas dicas:


1- Lembre-se que cada momento é único.


É extremamente importante lembrar de que cada dia é uma nova chance, porém, mais importante que isso é ter a certeza de que cada momento é único. O “aqui” e o “agora” são dádivas que negligenciamos e se pararmos para pensar, são tudo que temos. Não seja vítima do “amanhã eu começo projeto x, y, z” ou “amanhã deixo tal hábito para trás”, comece agora porque alguém pode ter tido a mesma ideia revolucionária que você e começado ontem – quer arrependimento maior que esse?! –, amanhã você pode não querer ou não poder mais fazer o que queria e assim perder uma chance de fazer algo incrível que foi importante para você em determinado momento – e além de tudo, o amanhã pode nem mesmo chegar. Então, apenas comece e não pare.


2- Você tem o controle sobre si.


Chega daquela história de “se eu tivesse dinheiro”. “se eu tivesse um carro”. “se eu tivesse talento”, “se eu fosse mais bonita”. Não, de jeito nenhum. O nosso cérebro é programado para nos sabotar, reprograme-o.

Não seja a pessoa a passar a mão na sua própria cabeça, aceitar a posição de vítima e se auto sabotar com desculpas. Desculpas todos nós temos, mas se dermos crédito a elas, nunca chegaremos ao objetivo. Não é isso que queremos, certo? Assuma a responsabilidade sem medo dela. Quanto mais cedo aprendermos a nos disciplinar, a ignorar as vozes do trauma do nosso psicológico, menos lugar para o trauma teremos em nossa vida e assim abriremos espaço para um ciclo de novas conquistas. Como mencionei no início do texto, temos pouquíssimo controle sobre o que a vida nos dá, mas controlamos – totalmente – a forma que reagimos a isso. Esse controle é seu poder: assuma-o.


3- Conheça seus empecilhos.


Por muito tempo usei desculpas para me convencer de que se as circunstâncias fossem diferentes eu também seria. Adivinhem: estava enganando a mim mesma. É comum que os nossos maiores limitantes

sejam nós mesmos. Reconheça: onde estão suas limitações? São fatores externos – reais–? Questione-se: “Como posso resolvê-los para alcançar o que busco?” Ou será que são fatores internos: a procrastinação, o medo da insuficiência, a inconsistência, desmotivação, entre outros? “Como posso tratá-las?” “Eu reconheço quando estou agindo sob tais impulsos?” Quais são as distrações que te impedem de manter o foco? Fuja delas, empecilhos só te atrasam.


4- Inspire-se. Motive-se. Comece a agir.


Se você conseguiu passar por todas essas etapas, será muito mais fácil levantar voo. O primeiro passo é sempre o mais difícil porque vemos o objetivo como um todo, o que o faz parecer algo grandioso e incerto. Quando o dividimos em pequenas metas, torna-se palpável, acessível e uma realidade próxima. Faça esse exercício com tudo na vida – mesmo! Até com tarefas cotidianas – e veja como se motivar ficará cada vez mais prazeroso e fácil.


Encontre em quem se inspirar: alguém que admira na sua família, um(a) amigo(a), professor(a), uma figura histórica, um(a) artista... ou você mesma! Lembra aquela vez que superou uma situação que imaginava ser insuperável? Quando conquistou algo aparentemente inalcançável? Você pode fazer tudo isso novamente e muitas outras coisas.


Eu particularmente, acredito que o Profeta Muhammad (que a paz de Deus esteja com ele), suas esposas e companheiros são a fonte mais linda para se buscar inspiração, pelos seres humanos incríveis que foram, com exemplos reais e próximos da nossa realidade. Além de tudo, isso nos ajuda a elevar nossa fé e nos lembrar que não estamos sozinhos. E lembre-se de um conselho do nosso amado Profeta: “Confie em Allah, mas amarre o seu camelo”, ou seja: faça também sua parte. Não adianta assistirmos um vídeo

motivacional toda manhã e voltamos a dormir até a tarde logo em seguida. Devemos absorver esse conteúdo, confiar e principalmente: AGIR.


5- Entenda que erros fazem parte.


Tudo bem. Acontece. Não se desespere. Quem aqui nunca errou? Todos nós somos falhos e cometemos erros rotineiramente. Silencie as vozes na sua cabeça que usam dos seus deslizes para tentar te imobilizar. Transforme isso em um aprendizado e absorva suas lições. Erros nos fazem crescer e consequentemente nos fazem melhores, mas para isso, devemos dar o espaço correto para eles e evitar que se tornem traumas e fardos sobre nós. Mais uma vez: você tem o controle sobre como reage ao que te aflige. Vida que segue!


6- Não tenha medo de recomeçar.


Sob nenhuma circunstância permita que “recomeçar” seja algo vergonhoso ou que se limita à virada do ano. Recomece sem medo, no meio da semana, quando sentir necessidade, não importa se o Sol já se pôs. Recomece com o que tiver, faça o que puder, vá até onde conseguir, apenas não pare. Não se renda à estagnação, muito menos à derrota. Se você se encontrar “no fundo do poço” sem entender como foi parar lá, lembre-se que esse é o local mais favorável para se dar um impulso e subir outra vez. E o mais importante: você só pode ir para cima.


Agradecemos às nossas leitoras por nos acompanharem no ano de 2019 e desejamos que em 2020 essa perspectiva possa as acompanhar similarmente de forma positiva. São 366 novas chances ou quantas chances precisarmos, desde que nunca nos esqueçamos que o agora é tudo que temos.


Manie El Khal é ‬Designer de Interiores, estudante de Arquitetura & Urbanismo e colunista da Hijab • Se.

Mineira e descendente de marroquinos, ‬atua como professora, palestrante, orientadora para mulheres muçulmanas e não-muçulmanas na comunidade de Minas e trabalha como voluntária para a IERA em Belo Horizonte. Amante da fé e da arte, mescla-as para traduzir sua essência.


Conheça mais sobre sua história através do Instagram: @maghrebiyah

 

Por Manie El Khal, 24 de Dezembro de 2019 para o blog Hijab • Se


Já é fim de ano outra vez. Correria para cá, correria para lá, vemos as pessoas que nos rodeiam se apressarem animadas com os preparativos de Natal. E como ficamos nós, muçulmanos nessa história?


Ao contrário do que se pensa pelo senso comum, muçulmanos acreditam *sim* em Jesus (que a paz de Deus esteja com ele), como Profeta e Mensageiro de Deus, além de o considerar peça fundamental da fé. Sendo assim, por qual razão não comemoramos seu aniversário? Simples: para início de conversa, nem sequer se conhece uma data certa para esse acontecimento. Além disso, o Islam preza pela consistência. Com esse princípio, espera-se que as virtudes e boas intenções exploradas na noite de Natal estejam vivas o ano inteiro na vida de um muçulmano: o respeito, o perdão, a amabilidade e gentileza não se vivem apenas uma vez no ano e devem ser celebrados sempre com atitudes.


25 de dezembro, Nascimento de Jesus. Será? Essa história já deu o que falar, passando por inúmeros marcos históricos. O Natal se iniciou cerca de 7 mil anos antes da chegada de Jesus, (que a paz de Deus esteja com ele) com origens pagãs. A celebração romana no século segundo era uma homenagem ao deus do Sol persa “Mitra” – que representava luz e benevolência – e acontecia no próprio dia 25 de dezembro durante o solstício de inverno, – o dia mais curto com a noite mais longa do ano –. Nessa comemoração, as pessoas trocavam presentes e comiam muito, o que podia durar até 12 dias. A tradição se espalhou para os mais diversos locais do globo, passando pelo Egito, China e Grécia, que faziam suas próprias adaptações culturais. Já na Europa, o culto ao deus do Sol chegou mais tarde após a conquista do Oriente Médio por Alexandre, o Grande, por volta do século 4 a.C. O cristianismo crescia na Europa e ainda havia o interesse da homenagem a Mitra, sendo assim, em 221 d.C foi feito um acordo com a Igreja e estabeleceu-se a comemoração do aniversário de Jesus na mesma data, mantendo a celebração e alterando-se o homenageado. A partir daí, existiram diversas influências de outras culturas e a presença de lendas e mitologias se fez presente na construção do conceito de Natal como nós conhecemos, assim como a atuação da revolução industrial e o próprio capitalismo.


Hoje em dia é notável uma perda relativamente alta do real significado do que deveria ser a comemoração de Natal, revelando outras facetas para a data – “natal dos amigos”, “natal dos blogueiros”, entre outras ramificações –. Percebe-se que a data é lembrada e celebrada não somente por famílias cristãs tradicionais, mas até mesmo por pessoas não religiosas, se resumindo a apenas um evento social anual onde é feita uma decoração temática – sem absolutamente qualquer relação religiosa – e trocas de presentes, sendo assim uma comemoração não necessariamente cristã.”

Controvérsias à parte, o Natal ainda assim carrega uma origem intencional nesse sentido e grande significado para famílias cristãs, famílias essas das quais fazem parte muitos muçulmanos – revertidos ou não –. Levando isso em conta, existe a intenção de que a família inteira se una nessa data por grande parte – senão a maioria – dessas famílias e isso inclui a presença dos membros muçulmanos. Deveria isso ser um problema? Tendo em vista que, como mencionamos, o Natal tem se resumido a um encontro familiar onde o carinho entre os membros – que muitas vezes é esquecido durante o resto do ano – deve ser lembrado e ressaltado, isso deveria mesmo ser visto como um problema, caso o muçulmano de família cristã participe?


Obviamente, devemos evitar e nos abster do que possivelmente possa colocar em risco nossa fé, e antes de qualquer coisa, deve-se investir no diálogo, pois existem aspectos a serem compreendidos e que devem ser cuidadosamente expostos à família no que se refere às crenças e suas diferenças. Entretanto, não significa que ao respeitar a fé alheia e marcar presença em um evento familiar, tal muçulmano concorde ou apoie aspectos da fé cristã dos quais o Islam é divergente, apenas significa que esse muçulmano tem um círculo familiar com o qual opta por manter a boa convivência – o que seria a postura esperada de um muçulmano –. Em suma, desde que se mantenha uma postura correta e saudável dentro dos limites da fé, uma demonstração de respeito aos entes queridos através da simples presença não machuca ninguém, ao contrário de conflitos desnecessários, que seriam facilmente gerados caso se optasse por se abster do ambiente familiar tradicional nessa data. Isso não torna ninguém menos muçulmano, e pelo contrário: pode inclusive surtir efeitos positivos, como levar a um maior respeito e interesse em relação ao Islam e ao muçulmano por parte da família, em retribuição à manifestação dessa atitude por parte dele(a).


Por outro lado, é importante lembrar que, se for necessário que se abstenha disso e existir a possibilidade de se compensar a falta nessas comemorações, é interessante que se faça essa compensação da melhor forma: através de palavras e gestos carinhosos, presentes fora de data, surpresas inesperadas e até mesmo um jantar em família por sua conta. Além disso, Mesquitas locais costumam ter uma programação interessante no Natal que pode agregar bastante conhecimento útil sobre o assunto.


Vale ressaltar que tudo isso não é sinônimo de que devemos fazer esforços além para participar, especialmente se não é necessário e/ ou se é nocivo para a fé desse muçulmano. Se fazemos parte de uma família que sequer faz questão da comemoração de Natal, não seremos nós aqueles encarregados de introduzir a comemoração da data, certo? Não faria o menor sentido. A ideia é manter laços saudáveis prezando pelo respeito e boa convivência, gerando correntes do bem que se estendem para além de uma simples data de origens misteriosas e significado subjetivo, e a lembrança da atitude adotada nesses momentos pode impactar quem nos rodeia por muito mais do que uma noite, mas por uma vida. Por fim, nos abstendo ou participando em respeito a quem amamos, torcemos que seja um impacto positivo, regado pela tolerância e a paz que acreditamos e buscamos implementar, começando por aqueles mais

próximos de nós!


Manie El Khal é ‬Designer de Interiores, estudante de Arquitetura & Urbanismo e colunista da Hijab • Se.

Mineira e descendente de marroquinos, ‬atua como professora, palestrante, orientadora para mulheres muçulmanas e não-muçulmanas na comunidade de Minas e trabalha como voluntária para a IERA em Belo Horizonte. Amante da fé e da arte, mescla-as para traduzir sua essência.


Conheça mais sobre sua história através do Instagram: @maghrebiyah

 

Por Manie El Khal, 13 de Setembro de 2019 para o blog Hijab • Se

Israa Ghayreb: Jovem palestina morta pela

família vítima de crime de honra


Na quinta-feira, 29 de agosto sofremos uma nova perda para o machismo. Israa Ghayreb, jovem palestina de 21 anos de idade foi assassinada pela família, que afirma que a ação foi em função da preservação da honra. O incidente se deu após Israa sair e ser vista nas redes sociais com o rapaz com quem estava prestes a noivar publicamente. A talentosa jovem maquiadora tinha o consentimento da mãe para sair com o futuro noivo, porém, após o vídeo postado por ela no Snapchat, alguns primos e

parte de sua família paterna escandalizaram a situação, alegando que Israa havia sujado a imagem da família com suas atitudes, desonrando-a. Com isso, Israa foi espancada sucessivamente até a morte, supostamente por ordens do pai. Na primeira vez, a vizinhança – ouvindo os gritos da jovem –, tentou derrubar os portões de sua casa para ajudá-la, mas não obteve sucesso. Na tentativa de fugir do irmão que a agredia, Israa caiu de uma das janelas fraturando a coluna, pela qual foi hospitalizada rapidamente. Para a impunidade dos criminosos, a família justificou o acontecimento afirmando firmemente que Israa havia pulado da janela “por estar possuída pelo demônio” e que sua palavra não era digna de credibilidade.


Já recebendo cuidados médicos, Israa publicou em seu Instagram Stories que precisaria cancelar todos os atendimentos de sua agenda de agosto e setembro por motivos de saúde enquanto aguardava cirurgia da coluna espinhal. Além disso, acrescentou: “Não me enviem mensagens pedindo para que eu seja forte. Eu sou forte. Se não tivesse a força de vontade para viver, certamente teria morrido ontem. Que Deus seja o juiz daqueles que me oprimiram e machucaram.” Segundo relatos dos médicos, durante sua recuperação Israa tinha a companhia da mãe, que devastada temia pela vida da filha. Entretanto, recebeu uma visita inesperada de seu agressor, que prosseguiu em atacá-la uma útima vez. Assim, Israa foi assassinada pelas mãos daqueles que deveriam representar seu porto seguro.


As circunstâncias do falecimento são incertas. A família da vítima negou incansavelmente as acusações e afirmou que Israa sofreu um ataque cardíaco. Enquanto as autoridades palestinas não se manifestam, ativistas e a Organização de Direitos Humanos Palestina reivindica a investigação do caso. Com sua morte,centenas de pessoas se uniram na Palestina e marcharam exigindo justiça por Israa. Muitos pedem que o governo canadense efetue a prisão de seu irmão e suposto assassino: Ihab – que possui nacionalidade canadense –. O caso repercutiu e atravessou o globo nas mídias sociais, onde usuários e blogueiros muçulmanos se manifestaram, mostrando seu grande pesar pela injusta perda da jovem e ressaltando a urgente necessidade de lutar contra a violenta ideologia machista que no mundo

inteiro cruelmente tira a vida de milhares de mulheres todos os dias.



Infelizmente, muitas pessoas tendem a pensar que tais comportamentos sejam “aceitos” ou até mesmo encorajados pela religião, baseando essas ideias em um estereótipo incorreto de que a mulher no Islam é “submissa e oprimida” pela figura masculina. Ainda pior, são pessoas que praticam esses conceitos e pensam ser acobertados pela religião, por ignorância. Mas na verdade, esses crimes apenas ocorrem no momento em que existe uma supremacia cultural sobre os valores éticos e religiosos. O ponto de vista islâmico é totalmente contrário a tais ideologias, principlamente quando isso coloca um ser humano na posição de retirar a vida de outro, baseado em suas próprias concepções de certo e errado para preservar a

própria “honra”. Afinal, que honra existe naquele que oprime e tira a vida?


A mulher possui todos os seus direitos garantidos pelo Islam desde a sua revelação. O Islam foi pioneiro nisso e vem protegendo seu direito não só à vida, mas trazendo uma série de privilégios que não tínhamos antes disso. A existência de comportamentos que incitam a desvalorização da mulher e o ódio contra ela, validando e permitindo que crimes de honra sejam algo comum é no mínimo irônico e revoltante quando vindo de um país de maioria islâmica, tendo em conta a nobre posição da mulher no Islam e como é extremamente valorizada e respeitada pela fé em todos os seus aspectos.


Recordando-se do fato que o Islam surgiu em um contexto (ao qual se opôs fortemente) em que as famílias do período de ignorância pré-islâmica enterravam suas filhas vivas (mundialmente, na sociedade ocidental e oriental) pois o nascimento de uma menina simbolizava fraqueza ou “desonra” à família (qualquer semelhança com o caso não é mera coincidência!). Tal patriarcado se fundamenta em um pensamento retrógrado, tóxico e opressor e a fé islâmica não compartilha de tais ideologias ou conceitos em quaisquer circunstâncias. Isso não tem lugar no Islam, sobretudo na sociedade atual, e a fé islâmica aboliu tais práticas em todos os seus meios de influência, sendo de intrínseca importância na luta pela liberdade e os direitos das mulheres.


Hoje em dia, é urgentemente necessário exercer o revivalismo desses princípios para deter o machismo, a violência contra a mulher e o feminicídio. Todo mal possui uma raiz profunda que aparenta ser inofensiva e muitas vezes, somos nós quem regamos esse mal e permitimos que ele cresça e se distribua. Essa é uma luta diária, individual e coletiva que deve ser abraçada por homens e mulheres de todas as gerações, por um mundo equitativo, justo e livres não só para nossas mulheres, mas para todos, onde a religião islâmica jamais foi um empecilho para isso, e sim uma grande e potencial aliada.


Manie El Khal é ‬Designer de Interiores, estudante de Arquitetura & Urbanismo e colunista da Hijab • Se.

Mineira e descendente de marroquinos, ‬atua como professora, palestrante, orientadora para mulheres muçulmanas e não-muçulmanas na comunidade de Minas e trabalha como voluntária para a IERA em Belo Horizonte. Amante da fé e da arte, mescla-as para traduzir sua essência.


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