Quando querem escolher por nós.
- Team Hijab•Se
- 8 de mar. de 2022
- 3 min de leitura
Por Amar Alrai, 8 de Março para o blog Hijab•Se.

Como a perspectiva feminina deve ser analisada? E quais os Direitos merecem ser garantidos? Quando abordamos sobre o direito das mulheres nós temos que observar que nós somos muitas e ainda assim não somos ouvidas. Mulheres têm uma carga horária de trabalho superior à dos homens, por terem, na maioria dos casos, dupla jornada de trabalho, na rua e em casa. E essa ainda é uma realidade muito presente na sociedade, por mais independência e conquistas que tenhamos conquistado.
Em 1975 a ONU (Organização das Nações Unidas) oficializou o Dia Internacional da Mulher, de lá para cá muita coisa (ou quase nada) mudou. Até os dias de hoje as mulheres ainda lutam por melhores condições de trabalho e equiparação de salário. Na maioria das vezes, são mais bem capacitadas, possuem alto grau de instrução e ainda assim não ocupam posições de poder, nem de liderança, tendo uma diferença salarial considerável entre homens e mulheres. Essa diferença fica ainda mais ressaltada ao falarmos dos salários das mulheres pretas em comparação ao salário dos homens. [1]
As mulheres brasileiras só puderam votar em 1932, e se a mulher fosse casada, teria que ter a autorização do marido para isso. Apenas no ano de 1934 que tal condição foi retirada. No dia 24 de fevereiro é comemorado o Dia da Conquista do Voto Feminino, contudo nem todas as mulheres foram contempladas nessa data a 90 anos atrás com o direito de votar.
Até 1962 as mulheres brasileiras só podiam trabalhar fora, abrir conta em banco, viajar ou ter um estabelecimento comercial com a autorização do marido. O divórcio só foi permitido no Brasil em 1977, há apenas 45 anos.
No início desse texto, eu disse que nós mulheres somos muitas. Para além de números, nós somos plurais em vivências, cultura, credo, nacionalidade, cor, etc. E no contexto sobre o que mulheres “podem ou não podem fazer” tem uma situação em particular que é muito debatida e discutida em TODOS OS LUGARES: o uso do hijab. Para uns é sinônimo de opressão e reforço do patriarcado. Para nós, muçulmanas, é a nossa identidade religiosa, temor e obediência a Allah.
Recentemente, uma província da Índia [2] tem proibido que meninas ESTUDASSEM por usarem o hijab. A proibição e a banalização do uso do hijab é crescente. Por outro lado, é também fato que aconteceu a pouco tempo e que ganhou as mídias sociais foi o uso obrigatório da burca no Afeganistão pelo Talibãn.
Aqui temos duas situações diferentes, mas que chegamos à mesma conclusão: uma em que mulheres são proibidas de usar o hijab, e outra em que mulheres são obrigadas a usar. A conclusão é: sempre querem determinar por nós, o que nós mulheres podemos ou não podemos fazer.
Ao longo do texto trouxe diversos direitos em que as mulheres brasileiras não tinham acesso até recentemente, porque homens determinavam o que elas poderiam ou não poderiam fazer.
Na perspectiva islâmica, mulheres podem votar, estudar, se divorciar, ter direito a herança, escolher com quem se casar, até mesmo dirigir, mas que por questões políticas e culturais esses direitos lhe são negados.
O que fica aqui é a reflexão que a mulher pode ser o que quiser. E certamente que a roupa que usamos não nos define. Ninguém pode ser discriminado em razão de raça, cor, nacionalidade ou credo. Nós mulheres muçulmanas de véu, também fazemos parte do grupo de mulheres que apenas querem ter voz ativa na sociedade e falarmos por nós mesmas.
O dia 08 de março é uma data para nos lembrarmos que precisamos lutar muito para termos nossos direitos garantidos e assegurados, em toda a nossa diversidade. Basta piscarmos nossos olhos, que perderemos eles simplesmente pelo fato de sermos mulheres.
[1] https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv101681_informativo.pdf

Advogada, brasileira, filha de imigrantes sírios, atua com ênfase em direito e procedimentos migratórios. Pós-graduanda em Direitos Humanos na América Latina ( UNILA); Pós-graduanda em Direito Constitucional Aplicado (LEGALE); Presidente da Comissão das Mulheres Advogadas da OAB/PR subseção Foz do Iguaçu; membro da Comissão de Direitos Humanos da OAB/PR subseção Foz do Iguaçu; membro associada da Associação Nacional dos Juristas Islâmicos (ANAJI). Fala e defende as mulheres, em especial as muçulmanas! Se pudesse se resumir em uma frase seria “ Lute pelo seu direito!”
Conheça mais sobre sua história através do Instagram: @amar.alrai




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