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Por Manie El Khal, 22 de Março para o blog Hijab • Se


Fonte: Instagram @muslimsoftheworld1

Quem diria que em um piscar de olhos veríamos o mundo inteiro entrar em um momento de crise. Como todos estão cientes, estamos em meio a uma pandemia que parou o mundo: o novo coronavírus vem se transmitindo em tempo recorde desde seu surgimento na China e reproduzindo consigo um alto número de mortes em uma mínima fração de tempo. Ainda assim, grande parcela da população global desconhece a dimensão e gravidade do problema, assim como sua respectiva parte no combate à pandemia.


No Brasil, a primeira confirmação da doença ocorreu em 26 de Fevereiro, pouco menos de um mês atrás. Hoje, no vigésimo quinto dia, são pelo menos 1208 casos confirmados em 26 Estados, com 18 mortes entre São Paulo e Rio de Janeiro (lembrando que a contagem dos casos é feita pelos testes positivos e os testes são realizados apenas em pessoas com sintomas severos e grupos de risco. Isso nos leva a entender que os números são muito maiores, pela fácil transmissão do vírus e a característica de não manifestar sintomas muitas vezes, sendo grande parte dos pacientes assintomáticos, que portam e transmitem a doença sem ao menos ter ciência dela).


Quando o povo brasileiro começou a perceber a gravidade do COVID-19, passamos a nos conscientizar melhor coletivamente sobre o assunto e demandar das autoridades medidas preventivas para conter o avanço da doença no Brasil. Grande parte das cidades brasileiras tomou medidas contra o surto, suspendendo quase todas as atividades dentro do país, sejam elas comerciais, culturais, acadêmicas ou religiosas, preservando o funcionamento de supermercados, farmácias e órgãos de saúde. Além disso, foi adotada uma grande restrição de entrada e saída no país, tal como o transporte interestadual. Para a população como um todo foi decretada a quarentena, período de reclusão para evitar novas contaminações. A ideia de evitar locais de aglomeração e incentivar o isolamento visa diminuir ao máximo a ploriferação do vírus, medida base de uma série de orientações dadas pela Organização Mundial da Saúde, junto às autoridades.


Em uma escala individual, além de não sair de casa exceto por razões emergenciais, é importante manter certos cuidados, tais como a higienização correta das mãos (evitando sempre levá-las ao rosto, especialmente áreas dos olhos, boca e nariz); a esterilização de compras, superfícies, celulares, óculos e objetos de uso pessoal, dentre outros; adoção de uma distância mínima de um metro para interação social (evitando inclusive beijos e abraços); assim como a forma correta de se espirrar e tossir. Essas medidas parecem nos restringir (um pouco, de fato), mas na verdade são atitudes básicas que deveríamos nos disciplinar para aplicar em nosso dia-a-dia indepentendente de haver ou não uma epidemia. A demora da quarentena pela população foi crucial na disseminação do vírus. Por ora, é essencial lembrar que quanto mais pessoas se conscientizarem e aderirem ao isolamento social, mais fácil e mais rápido se quebrará a corrente de contaminação, o que permitirá que nos recuperemos melhor e voltemos o mais breve possível para nossas rotinas.


Falando em rotinas, obviamente existe uma preocupação geral sobre trabalho, recursos financeiros, contas a pagar... Mas já pararam para pensar sobre a parcela da população que tende a ser sempre a menos favorecida? Não tem sido diferente dessa vez. Enquanto muitos continuam indo às ruas em desdém, colocando a si e a outras pessoas em risco, existem outros que dariam tudo para estar sob a segurança de um lar com suas famílias, mas muitas vezes sequer tem um lar, fazendo da rua o seu refúgio, local que por si já é inseguro e que agora ressalta tal característica. Há também aqueles impossibilitados de se proteger porque precisam se doar ao trabalho para garantir um lar a si e o alimento de suas famílias. Outros se doam para cuidar dos pacientes, estando expostos ao vírus diretamente, mas ainda assim, na luta contra ele na tentativa de salvar vidas. As janelas tem sido palco para os mais lindos eventos, e na sexta-feira, 20 de março, o Brasil se uniu em uma longa e emocionante salva de palmas em respeito e solidariedade a essas pessoas (nossa mais sincera apreciação a vocês!!!). Além disso, as janelas também tem sido palco de manifestações através de panelaços; manifestações artísticas com música ao vivo e se tornaram também local de interação (quem aí descobriu um(a) novo(a) amigo(a) na janela depois de anos vivendo logo ao lado?), lembrando a bela época em que as pessoas ainda sentavam nos portões para conversar.


Nesse momento, a empatia mais do que nunca deve ser vivida. Responsabilidade coletiva não é só ficar em casa em segurança, mas também, lembrar que estamos todos passando pelo mesmo momento de insegurança e que todos temos as mesmas necessidades. Antes de estocar desnecessariamente alimentos e produtos de higienização e esterilização e deixar as prateleiras vazias, é importante lembrar que outras pessoas também precisam deles com a mesma urgência. Antes de aumentar em porcentagens exorbitantes o preço de itens básicos de saúde e higiene (cruciais nesse momento) visando o lucro devido à demanda, seria no mínimo prudente pensar em quem não possui recursos para acessar esse luxo. Antes de reduzir o salário dos funcionários para manter a empresa lucrando, o empregador deve lembrar que a empresa se autosustenta sem um mês de lucros, mas o funcionário muitas vezes depende da renda salarial para se alimentar. E antes de exigir que uma doméstica se submeta a riscos para cuidar da sua família, que tal lembrar que se trata de uma vida digna e que ela também tem uma família para cuidar? Se a economia quebrar, ela se regenera mais tarde, não deixemos que para protegê-la isso nos custe vidas. E isso, meus caros, é o mínimo.


Apesar de todo cenário caótico, é emocionante observar a fragilidade humana e como de fato somos mais fortes juntos, pensando em todos de maneira igualitária. É emocionante ver pessooas em Moçambique (onde não foram atingidos pelo vírus, graças a Deus) em um país pouco avançado financeiramente, orando pelo mundo, mostrando que são avançadíssimos no que realmente importa. É emocinante observar a manifestação da natureza em resposta a isso, como no exemplo da Itália, que após a reclusão das pessoas em suas casa registrou javalis andando pela cidade com seus filhotes pela cidade, água cristalina nos canais em Veneza, golfinhos nadando nos portos e patos caminhando pelas fontes em Roma.

Toda essa situação nos serve de reflexão: isso é um teste que provavelmente nos afetou em conjunto globalmente para que possamos ponderar sobre nossa insignificância diante do universo. Somos parte dele, não Soberanos sobre ele. Tratamos a natureza da pior forma possível e ignoramos cada sinal de alerta e pedido de socorro que a Terra nos dá. Vemos desastres naturais se intensificarem cada vez mais e a postura da humanidade parece não mudar, exceto em prol do próprio "benefício".


Talvez com uma tragédia global como tem sido essa, esse chacoalhão nos acorde. Talvez ao sentirmos o pânico de um cenário marcado pelo desespero, medo, dor, perdas e incertezas sobre futuro, passemos a pensar mais no desespero, medo, dor, perdas e incertezas que afligem o outro lado do mundo com tanta frequência, que pouco nos choca ou causa ou impacta. Talvez com essa breve experiência tomemos consciência de que pouco importa o material, as aparências e o luxo se não temos saúde, segurança, educação, liberdade, e passemos a cuidar melhor daqueles que são privados dela por toda vida. Para que voltemos nossa atenção a eles, aos atingidos pela fome e a miséria, às vítimas de genocídio, às pessoas em zona de guerra, grupos de risco atingidos pelo risco todos os dias, que devem lutar pela vida e por qualquer alimento ou segurança todos os dias. Talvez ao vermos nossas Mesquitas fechadas (onde sentimos ser o refúgio mais pacífico e seguro no universo), nós como Comunidade e como indivíduos muçulmanos nunca mais nos esqueçamos de todo o valor que esses locais tem para nós. Talvez seja um lembrete do quão impotentes somos, quando temos uma mínima ideia do que é temer por si e quando um ser microscópico invisível a olho nu é capaz de causar um enorme colapso no mundo inteiro, sobre o qual nos julgamos controladores. A verdade é essa: não estamos no controle. E talvez, isso seja apenas a lição que tivemos que aprender do jeito difícil. E esperamos que a humanidade de fato aprenda.


Buscando conforto para minha ansiedade e inquietação parei para refletir também sobre a perspectiva islâmica sobre o assunto. É surreal e incrível ver na prática a importância das orientações do Alcorão e da Sunnah (ditos do Profeta Muhammad, que a paz de Deus esteja com ele). É de arrepiar quando vemos mais uma vez a completude do Islam, ao cobrir um assunto tão específico como esse de maneira tão sábia, o que nos conforta e nos proporciona um senso de segurança: não estamos totalmente perdidos.

Assim que dei conta da pandemia me lembrei do dito do Profeta sobre o assunto: "Se você ouvir um surto de epidemia em um local, não entre nele, e se ele surgir em um lugar enquanto você estiver nele, não deixe esse lugar." Sábias palavras, de fato. Ao notar as orientações da OMS para prevenir o surto, me lembrei novamente de como o Islam nos ensina que "a higiene é um traço da fé" e visa a limpeza em todos os aspectos. Deus nos diz no Alcorão Sagrado que serems postos à prova mediante o temor, a fome, a perda de bens, das vidas e dos frutos, não como castigo, mas como Misericórdia "... anuncia a bem-aventurança aos perseverantes - aqueles que, quando os aflige uma tragédia, dizem: Somos de Deus e a Ele retornaremos -. Estes serão cobertos pelas bênçãos e pela misericórdia de seu Senhor, e estes são os bem encaminhados." (Alcorão 2:155-157)


Apesar da compreensão de que isso é um teste e de nos ser dado um passo a passo para evitá-lo e eventualmente combatê-lo, o Islam é completo, não uma religião acética, se unindo a ciência, não contradizendo-a. Já dizia nosso amado Profeta,"Faça uso de tratamento médico, pois Deus não fez uma doença sequer sem indicar um remédio para ela." Confiemos, então, sejamos cautelosos e tomemos as medidas corretas para efetivamente resolver o problema, sempre com muita fé.


De fato, não sabemos o que será daqui para a frente, mas sabemos que ao fazermos nossa parte, Deus apontará uma saída. Teremos que nos reerguer juntos, orar muito por uma solução, por sabedoria, por aqueles que perderam suas vidas nessa tragédia e por aqueles que ficaram para trás com um vazio que não esperavam. Oremos pelo mundo, para que transformemos toda perda em ganho: o ganho de todas as virtudes que precisávamos para pensar e trabalhar juntos por um mundo melhor. Cuidemos uns dos outros, amemos uns aos outros, sejamos solidários e responsáveis uns com os outros: o mundo precisa disso. Não desanimemos, não cedamos ao surto e à preocupação, e lembremos: nós não estamos no controle, mas Deus está.



Manie El Khal é ‬Designer de Interiores, estudante de Arquitetura & Urbanismo e colunista da Hijab • Se. Mineira e descendente de marroquinos, ‬atua como professora, palestrante, orientadora para mulheres muçulmanas e não-muçulmanas na comunidade de Minas e trabalha como voluntária para a IERA em Belo Horizonte.

Amante da fé e da arte, mescla-as para traduzir sua essência.


Conheça mais sobre sua história através do Instagram: @maghrebiyah

 

Atualizado: 4 de mar. de 2020

Por Manie El Khal, 08 de Fevereiro para o blog Hijab • Se

Quem aí não ama as férias? Todas nós apreciamos tirar um tempo para descansar bem e fazer o que normalmente não conseguimos dedicar muito tempo durante o ano. Na volta às aulas temos vários perfis: exemplos são pessoas com saudades da rotina acadêmica e dos amigos, de calouros fervorosos pela nova etapa e o primeiro dia de aula e pessoas como eu, veteranos já cansados e chorosos com o término das férias. Se você faz parte de qualquer uma das categorias acima, com níveis iguais de ansiedade (em todos os sentidos da palavra), aqui vão algumas dicas para sobreviver ao período letivo bem, reduzir seus surtos e aproveitar ao máximo essa experiência que no fundo todos nós amamos.


- Comece com bismillah

Aprendemos que tudo que se inicia com o nome de Deus (bismillah) nos garante a experiência com mais bênçãos, e o mesmo se aplica nesse caso. Existem diversas súplicas no Alcorão e que foram ensinas pelo Profeta Muhammad e outros Mensageiros (que a paz se Deus esteja com todos eles) que facilitam processos árduos pela graça divina. Peça a Deus que expanda seu peito e facilite sua tarefa, confie na resposta e coloque a mão na massa! 


- Palavra chave: Conforto

Estudos comprovam que o conforto aumenta significativamente a produtividade, então se atente ao seu vestuário no momento dos estudos, sinta-se plena e busque o melhor lugar para estudar. Se possível, crie um espaço dentro de sua casa exclusivamente para isso e faça dele aconchegante (mas não muito, pois não queremos que você acabe tirando um cochilo de quatro horas, ok?) Deixe seu cantinho com a sua cara e isso irá te motivar a frequentá-lo mais vezes e te manterá lá por mais tempo, consequentemente te ajudando a estudar. Seja lá onde for, seja no seu cantinho, na casa de amigas ou na escola/ faculdade, busque sempre um local fresco e com luz natural e evite espaços muito carregados: isso pode tirar sua concentração.


- Faça disso uma experiência prazerosa

Agora que você já está no Mood para estudar, precisamos de estímulos que a mantenham motivada para isso. Tenho a mais absoluta certeza de que você, minha cara leitora, alguma vez na vida já se viu horas babando em um Feed de Instagram, Tumblr ou Pinterest de estudos e pensou que era tudo que queria em sua vida de estudante. A boa notícia é que isso está ao seu alcance. Depois de criar seu próprio cantinho de estudos (simples e acessível, não precisa de grandes gastos ou esforços, você pode usar itens do seu quarto para decorá-lo ou fazer você mesma esses itens), crie estímulos para que o momento de estudos seja algo que você realmente aprecie. Tenha seu copo de café tampável sempre perto com sua bebida favorita (evite bebidas com muito açúcar, visto que isso pode aumentar a ansiedade), assim como água, algum snack saudável para comer no intervalo e qualquer outra coisa que você precise (isso evita que você tenha que levantar para pegar algo e perca o foco).

Use canetas, post its autocolantes e materiais coloridos que te deixem animada para usá-los. E por último, crie metas mentais e se recompense por elas: “se eu fizer tantos exercícios, posso comer um chocolate ou ir ao cinema no fim de semana”, por exemplo. Isso fará seu cérebro grato e tornará o estudo não mais um esforço árduo, mas um leve esforço momentâneo que gera resultados e recompensas reais.


- Entenda seu método de estudos

Se ao estudar em grupo você consiga absorver melhor o conteúdo, aposte nisso, mas é importante ter sua própria independência ao estudar. Se estudar sozinha aumenta sua produtividade, tudo bem, também! Analise qual método de aplica melhor a você e explore-o.


- Mantenha amigos perto e estratégias mais perto ainda

Não é porque você leva os estudos a sério que deve deixar os amigos de lado, certo? Inclusive, amigos são muito importantes nesse momento e podem te ajudar a ter um desempenho melhor e livre de surtos. Se o método de estudar em grupo se aplica bem a você, junte a galera, organizem o que cada um deve estudar com base nas facilidades de cada um, estude por alto toda a matéria e mais tarde, cada membro do grupo explica a matéria que estudou com mais detalhes para discussão em grupo. Se tem método melhor, eu desconheço, mas se você conhece, vá em frente, ele é muito válido.


- Aprenda com suas lições prévias

Sua observação crítica é essencial para o desenvolvimento desse processo por um estudo melhor, mais produtivo e prazeroso. Analise a si mesma e seu rendimento, que método deu certo ou não e etc. Por exemplo, se o cochilo no meio da tarde ao invés de gerar energia te deixa dormir por horas, perder a tarde de estudos, perder o sono à noite e consequentemente perder a hora no outro dia, isso deve ser corrigido. Entenda quais hábitos não são saudáveis, pois a repetição deles se torna um ciclo difícil de quebrar à medida que ele avança. Fuja da auto sabotagem. E o mais importante: não se martirize por seus erros: aprenda com eles.


- Esteja sempre um passo à frente

Sabe aquele Software que o professor comentou que irão precisar aprender no próximo semestre? Aquela matéria que a turma dos veteranos teve muita dificuldade para aprender? Esteja um passo à frente e o seu “eu” futuro irá te agradecer enormemente. Use as férias para aprender pelo menos um pouco mais, fazer um curso extra, dar aulas de reforço em matérias que você já sabe (o que ainda te ajuda a ter um dinheirinho a mais)... Além de te poupar um grande esforço e estresse no futuro, isso ainda conta como horas complementares para rechear seu currículo e te destacar em sua profissão. 


- Calma...

Saiba descansar. Reconheça que intervalos não só podem, como devem existir. Não se cobre tanto. Se for necessário, durma. Levante, se alongue, vá caminhar, tente novamente. Medite, respire fundo. Faça uma oração.

Algo que diminui minha ansiedade em mil por cento, é a recitação do Alcorão Sagrado. Não há nada nesse universo que consiga me fazer sentar e fazer o que eu preciso em paz por horas como ouvir uma bela recitação. Além da minha própria experiência, os efeitos positivos do Alcorão sobre nossos estados físicos, mentais e psicológicos são cientificamente comprovados. Têm-se a melhora na concentração, no armazenamento de informações, redução de tensão e dos níveis de pressão arterial, além do aumento dos níveis de oxigênio no sangue. Em seguida algumas sugestões de recitações calmantes: • Hazza Al Balushi; • Islam Sobhi; • Yasser Al Dosary; • Tareq Mohammad. Todos disponíveis no YouTube.

Outra coisa muito útil, simples e relaxante são sons de fundo (café, biblioteca, lareira, chuva, vento, mar...) disponíveis no YouTube ou em plataformas de extensão e aplicativos como a Noisli, Calm e similares


- Hábitos saudáveis

Não existe nada mais importante que saúde. Se temos ela, temos tudo. Se não temos, não temos nada. Mas nada impede que ela se transforme, tudo depende dos nossos hábitos. Acredite, o clichê de ter uma dieta balanceada, praticar exercícios, ingerir água o suficiente, ter uma boa noite de sono em escuro total nos horários corretos faz mais diferença do que damos crédito. Faça o melhor que pode para alcançar essas metas e veja sua vida se transformar, seu sono diurno desaparecer, seu humor melhorar, sua produtividade aumentar, assim como a concentração, foco, compreensão que sempre parecer nos fugir. Entre muitos outros benefícios. Sempre tenha acompanhamento médico e jamais hesite em tratar qualquer problema físico, emocional ou mental. Se você, como eu, sofre com o maior pesadelo de um adulto (em especial os estudantes): o TDAH (transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade) não se envergonhe disso, busque soluções. Se você não possui TDAH mas como qualquer outro ser humano carrega traumas e bloqueios que prejudicam seus estudos, a psicoterapia é uma aliada, não uma razão para se envergonhar. Saúde primeiro, todo o resto vem depois. Combinado?


- Por último e não menos importante: seja você! Seja muçulmana sem pedir desculpas por isso. Não se acanhe pela sua fé, se orgulhe dela. Mantenha-se em dia com suas obrigações religiosas dentro de suas capacidades. Cinco minutinhos são o suficiente para fazer uma oração em seu devido horário. Procure uma sala vazia para que você se sinta à vontade ou peça para que uma amiga te acompanhe, se sentir necessidade. Se na escola ou na faculdade você decide começar a usar o Hijab, por exemplo, não hesite. Abrace a experiência. Na minha primeira tentativa de usar o Hijab (o que aconteceu no Ensino Médio), minhas amigas decidiram usar comigo no primeiro dia para que eu me sentisse mais confiante e soubesse que eu não estava sozinha. E isso é tudo: saiba que você não está sozinha.


E você? Quais suas estratégias de estudo ou estilo de vida para um ano letivo stress free?

Conta pra a gente as suas dicas! 


Manie El Khal é ‬Designer de Interiores, estudante de Arquitetura & Urbanismo e colunista da Hijab • Se. Mineira e descendente de marroquinos, ‬atua como professora, palestrante, orientadora para mulheres muçulmanas e não-muçulmanas na comunidade de Minas e trabalha como voluntária para a IERA em Belo Horizonte. Amante da fé e da arte, mescla-as para traduzir sua essência.


Conheça mais sobre sua história através do Instagram: @maghrebiyah

 
  • 11 de out. de 2019

Por Manie El Khal, 11 de Outubro de 2019 para o blog Hijab • Se



Dia vai, dia vem e me encontro sempre fugindo de um padrão do qual sou refém, mas ao qual recuso me render: O tal do “pertencer”. Nos dizemos tão independentes e assíduos na missão pelo amor próprio, sem perceber que nos perdemos simultaneamente sendo vítimas da necessidade de validação externa para isso. Celebramos nossas conquistas pessoais de forma pública nas redes sociais, mas atribuímos mais ou menos valor à experiência a cada “like”. Por vezes fazemos coisas que nem sempre nos agradam e deixamos de fazer ou até mesmo de ser algo que nos faz bem para evitar ficar de fora. O pior de tudo isso é quando não percebemos e deixamos de reconhecer tal comportamento. De forma semelhante, nos últimos dias precisei me relembrar de diversos modos da minha essência, porque nessa brincadeira de dar um cheirinho para cada um, acabei a esgotando.



De fato, somos humanos, seres sociais. Desejamos viver em conjunto e estar perto de pessoas que nos fazem sentir importantes e para isso, pouco custa fazer uma coisa ou outra para conseguir tal mérito, não é mesmo? Não há nada de errado nisso, a questão implica: até onde isso é saudável? Até onde iríamos para satisfazer a sociedade? Acabamos nos submetendo frequentemente aos padrões maquiados de “liberdade” e “estilo”, sejam eles de comportamento, ideologia ou dentre os aspectos físicos do que é esperado de nós. Afinal, quem dita tais parâmetros? A quem cabe a - seríssima - responsabilidade de estabelecer o valor de algo ou alguém? Como dizem, o valor se encontra nos olhos de quem vê e ninguém jamais deveria intervir no quão importante algo deve ser para nós com base em suas opiniões.

Nós vivenciamos isso como mulheres e como muçulmanas: tentamos mostrar ao mundo que somos tão importantes e capazes quanto as mulheres que não usam o Hijab, e queremos ser tão legais quanto as blogueiras que fazem o uso da vestimenta islâmica. Isso não é tarefa fácil e muitas vezes nos fazemos acreditar que se formos um pouco menos notavelmente “hijabis” facilitaremos o processo. Pensamos que ao estilizar o Hijab - muitas vezes flexibilizando as diretrizes de uso - conquistaremos mais facilmente a possibilidade de pertencer e nos encaixar, esquecendo que essa apreciação deveria vir de dentro, o que é exatamente o que o Hijab tenta nos ensinar através de seu significado. O contrário também ocorre: muitas mulheres acabam abraçando o Hijab antes de entenderem seu processo como muçulmanas, enquanto tudo ainda se encontra muito novo e cru. Sem o preparo necessário, acabamos pulando etapas e cedendo à pressão social de aderir ao Hijab em troca da sensação de fazer parte da comunidade, sem nem entender com clareza o porquê dessa escolha, deixando assim de fazer parte de nós mesmas.


Me surpreendo com o quão nocivo é permitirmos que isso aconteça todas as vezes que me encontro em um desses ciclos e sou obrigada a me perguntar: “quem é você?!” Negligenciar nossos princípios e valores em prol da aceitação alheia é uma armadilha de auto sabotagem e nos faz esquecer quem realmente somos. É necessário questionar o mundo e questionar a si mesmo até que nos reencontremos. É fundamental nos conhecer, entender nossas próprias demandas, reconhecer nossos potenciais e fragilidades para evitar que acabemos caindo na perigosa armadilha de ser outra pessoa, ou a reprodução de uma ideia que construíram sobre nós. Tudo bem se for necessário dar um passo para trás e ver a imagem como um todo para fixar o quebra cabeça. Não há nenhum problema com você se nem todos se agradarem de suas cores e cheiros, pois aqueles que merecem fazer parte da sua vida irão amar cada um dos seus tons. Está tudo bem em ser sozinha por algumas horas, dias ou o tempo que for necessário para se descobrir. O autoconhecimento resulta em amor próprio, em autovalorização e dessa forma na experiência única e enriquecedora de viver no mesmo corpo que sua melhor companhia: você mesma.


Manie El Khal é ‬Designer de Interiores, estudante de Arquitetura & Urbanismo e colunista da Hijab • Se.

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